terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Sou magra sim e daí?

Faltam 10 dias para as férias acabarem, e não estou nenhum pouco triste por ter que voltar ao Rio de Janeiro.
Comecemos pelo fator número 1: É o lugar onde eu construí a minha nova vida, então aqui em São Luís na primeira semana é muito divertido, depois a impressão de inutilidade começa a se fazer presente e é melhor manter a cabeça ocupada sempre, principalmente quando a ocupação faz parte do que você deseja ser daqui a uns anos.

Fator número 2: Há pessoas que não entendem que sua vida no lugar onde você mora não é a mesma quando você está de férias, ou seja, a rotina não precisa ser a mesma, você não tem horários, não tem "tantas" obrigações e se está de férias quer relaxar e isso é sinônimo de fazer as coisas que te fazem sentir menos pressionado por tudo o que já te pressiona no cotidiano estudantil e profissional.

Fator número 3: No Rio, durante 1 ano, eu não ouvi sequer alguém dizer: "olha como você é magra", ou "você está tão magra", ou "se você engordasse ia ficar muito bonita". Talvez seja por dois motivos, as pessoas gostarem de ser magras no Rio (pode ser, pode não ser), ou mesmo por eu fazer comunicação social, e o pessoal ter a mente bem aberta, além de saberem que não existe um fenótipo certo e que pode ser considerado padrão, o que na verdade isso aconteceu devido a formação de padrões que foram estabelecidos pela mídia televisiva, impressa (revistas), alguns tipos de filmes. É isso. Entrando nesse assunto com mais profundidade, sim, é por isso que você acha que ter uma cintura fina, contanto que tenha pernas grossas, seios grandes, e uma bunda "legal" é que é bonito e merecedor de elogios.
Durante toda a minha infância, adolescência e juventude eu achei que tivesse que ter um tipo de corpo. Escreviam no meu blusão da escola no final de ano: "esqueleto", "só osso", bem, acho que todo mundo tem osso, esqueleto, não? É, mas machucava e passava na minha cabeça: "Eu preciso engordar, eu preciso ser que nem aquela menina, eu preciso deixar de ser chamada assim um dia, mas para isso preciso mudar". Quem foi que falou isso para mim? Eu não precisava mudar pra ser aceita! Infelizmente foi o que eu pensei durante todos os anos de escola e até mesmo os posteriores a ela. Eu era magra a ponto de parecer que tinha algum problema físico, a ponto de acharem que eu estava doente ou era desnutrida, mas era simplesmente uma questão genética.
Para ser mais exata, meu irmão tem 32 anos e minha irmã 31, acho que ninguém consegue dizer de verdade que eles têm essa idade, visto que tem o rosto e o corpo 10 anos mais jovens. Eu tenho 22 e pareço ter 15. E assim podemos ver também alguns primos, algumas tias. Tenho o exemplo de uma tia que engordou com mais de 50 anos, passou a vida inteira com pouco peso.
Isso foi só um "abre parênteses", não adianta eu lutar contra isso porque não vai adiantar, eu vou engordar quando for pra engordar, e independente disso acontecer, não é isso que vai definir o quão bonita eu sou.
O que posso dizer, é que aqui na minha cidade é muito mais intenso isso de ser "fortinha", as pessoas te conhecem e sendo legais, chatas, novas, velhas, uma hora ou outra vão dizer "você é tão magrinha!". Mas que diabos! Eu sei que sou magrinha, não preciso que alguém diga isso para mim. E ninguém sabe o que corre por trás de cada pessoa, a sua história, os seus problemas, isso magoa pra caramba e ninguém imagina o quanto.
O engraçado é que há uns anos atrás eu ficava muito chateada quando via na televisão ou em qualquer outro tipo de mídia: "aprenda a emagrecer"; "como emagrecer"; "siga essa dieta e emagreça". E eu pensava: "é muito mais fácil emagrecer, é só correr, comer pouco, quanto mais eu como mais peso parece que perco, por que não ensinam a engordar?". Eu podia ter ido a um nutricionista e ter corrido atrás de ganhar esse peso a força. Mas hoje eu penso que fiz o melhor em não ter feito isso. Eu não preciso engordar pra ser admirada por alguém. Depois que eu falo do quanto me chateei durante a vida por dizerem que eu precisava engordar, e mesmo assim ter a vontade de engordar hoje, algumas pessoas argumentam que eu sou estranha e se eu falo que isso é errado, não deveria ir atrás de mudar. Mas pensemos bem, não significa que não vá existir "gostos". Há pessoas que gostam de pessoas com um peso maior, outras com peso menor, negras, brancas, asiáticas. Eu quero chegar a um determinado peso hoje por gostar! Por querer isso para mim. Por me achar melhor se chegar a esse peso. Não mais porque disseram que eu preciso ser de um jeito que eu não sou. São metas totalmente diferentes, mesmo que seus objetivos sejam os mesmos, o motivo de querer chegar a eles são completamente opostos.
Esse texto não é um desabafo, como parece, não é um carão, uma bronca, como parece. É só uma experiência de uma vida inteira (por mais nova que eu seja), de algo que me machucou muito e que tem que ter um fim nesse mundo. E não, o texto não vai motivar ninguém a ser melhor, isso é uma questão muito delicada e precisa de um tempo longo para uma mudança ser aplicada. Foi um dos motivos que me levaram a fazer o curso de comunicação, eu preciso de alguma forma cooperar para a disseminação de que é uma ideia absurda essa de padrões de beleza.