segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Sábado

  • Um sábado, acordamos a primeira ação do dia foi uma conversa estranha A segunda foi ouvir Sábado, que estava sendo lançado naquele dia A música que marcou foi Capim-Limão Enquanto isso você deitou na minha perna E nós ficamos ali, ouvindo a música e pensando no quanto nos amávamos
  • Como queria que aquele sábado tivesse sido apenas mais um sábado
    Ele foi o último que passei ao seu lado
    Ele foi o dia que eu lembro com mais vontade de vivê-lo outra vez

  • Sábado
    Como todos eles anteriores àquele foram bons
    Sentia sua pele, o cheiro que me vem todos os dias agora em saudade
    O calor que nossos corpos produziam

  • Ah, sábado
    Eu não imaginava que você se tornaria o pior dia da minha semana
    Ah, você não está sozinho sábado
    Segunda é igual a você
    Domingo é seu irmão gêmeo
    Quinta se parece muito
    Ah sábado
    Todos os dias são como você
    Eles se tornaram vazios
    Todos vocês nunca mais serão iguais ao que eram
    Mas vocês são iguais entre si
    Iguais.

sábado, 14 de setembro de 2013

Essa é a pior parte

Nunca sei quando eu vou conseguir escrever, eu nunca preparo, nem espero, nem aguardo. Por isso é que o tempo entre cada texto postado até assusta. Parece até que eu deixei o blog no lugar dele, sossegado do mundo como ele mesmo é. Então eu, quando estou desassossegada do mundo, tremo todinha e sinto vontade de escrever, e finalmente posso sossegar dele.
Hoje pouco posso falar sobre qualquer coisa, porque eu me sinto cada vez menos preparada para isso, deveria ser o oposto, mas não é. Antes eu não tinha medo de falar, eu só falava, só escrevia, só descrevia sem pensar muito na forma e no tom. O que de fato eu vim fazer aqui? Eu já até nem lembrava mais, esqueci nesse meio tempo de introdução.
Há duas semanas atrás eu estava feliz, a diferença é que a felicidade estava de tão fácil alcance que às vezes eu a deixava de canto. Sensação parecida quando nós temos água em abundância nos litros na geladeira e nem sequer bebemos um copo, e quando temos sede e vamos beber, os litros estão vazios (que exemplo mais tosco, mas é assim). Ela estava bem alí. E não digo que não aproveitava essa tal felicidade, mas era tão normal que virou rotina. Hoje, estou precisando buscá-la, procurá-la, se puder até inventá-la. Está difícil demais aceitar essa mudança.
Mudança que aconteceu de um jeito tão incerto, nunca vi na vida. E onde está minha casa, minha cama, meu quarto, meu violão, minhas coisas nesse momento tão difícil? Estão a quase 3000 mil km de distância. Essa é a pior parte. No momento em que você poderia pensar: "Ah, a vida não é tão ruim assim, pelo menos minha família não pode desistir de mim, mesmo que não gostem de mim, a família sempre estará alí", você  não pode, justamente porque sua família não está aqui do lado. Repito: essa é a pior parte.
Incerteza de uma melhora e terei então que, ou conviver com a dor, ou começar a trabalhar incessantemente para destruí-la de dentro de mim. Claro que a segunda opção é válida, mas ela precisa de um motivo para deixar de existir. Essa dor só existe porque ela está junto com o amor, aquele que você sabe que existe de verdade. Então se for pra destruir um, a dor, o outro também terá que ser destruído. Essa é a pior parte dois.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Alojamento, vulgo Aló



Dia 24 vou para São Luís, mas nesse mesmo dia, é a data que nós, simplórios “agregados” no alojamento, que “não temos” para onde ir, teremos para sair do alojamento. Visto que o mesmo vai entrar em reforma, mesmo de forma que não dê uma garantia de moradia de verdade pra quem vai ter que esperar tal reforma. O que eles ofereceram foi um dinheiro a mais. Um número a mais de “verde” no bolso que não é a certeza de um lugar pra morar. Só não foi disso que vim falar, essa só foi uma breve descrição da situação corrente.
Eu tenho para onde ir, mas tudo o que eu não pagava (transporte - ônibus interno que mesmo lotado em sua maioria, chega com segurança e rapidez onde estudo; comida por 2 reais), terei que voltar a ter como mais um gasto. Só não vim também pra falar disso.
Vim despedir-me do alojamento de forma pública (amigos, família), porque acho engraçado não ser absolutamente nada como esperado. E se você pensa que não fui feliz nesse lugar, na verdade está enganado, eu fui. E também não tenho pretensão nenhuma de  relatar minha vida, até porque ninguém merece ler tanto “blá blá blá”, mas merecem saber de coisas cotidianas que quase ninguém, que não mora lá, nunca vai saber.
Morar no alojamento significa: ter que substituir os acontecimentos ruins ao humor, se não você não sobrevive. As piadas internas são as melhores.
No alojamento tem dois horários em que é distribuído o “café”, onde temos a opção de café com leite, sem leite, suco ou vitamina, pão , lê-se: pão velho, e uma frutinha ou sobremesa, como um copinho do tamanho do meu olho de gelatina. É lindo na teoria para quem não está lá ler que temos um “café grátis!”, na verdade a gente sempre tem que tomar muito cuidado com o que come lá. Ouço histórias que há 1 ano atrás eles davam Ovomaltine no café, sanduíches gostosos, entre outras coisas, mas acho que tiveram que diminuir a verba para nossos lanchinhos porque o “cara de terno” deve ter visto nunca “sobrar” money para seu papel higiênico importado ser comprado (haha).
Toda semana havia uma assembleia por lá, um grupo de alunos que organizam as ideias de todos os que compareciam às assembleias. E então quando aparecia alguém não muito visto pelos corredores a piada interna tomava partido: “Mas quem é você? Eu nunca te vi no café!”.
Ouvir passos de pessoas correndo se tornou quase fundo musical dos nossos dias. Tem um ônibus que passa de 10 em 10 minutos na frente de lá, que nos leva para dar uma voltinha no “imenso” fundão, sendo possível descer na estação (onde passam alguns ônibus para saída do fundão), na Vila Residencial (onde as pessoas costumam ir para fazer comprinhas básicas e lanchar), ou mesmo descer em qualquer ponto para pegar qualquer ônibus. Entretanto, no final de semana esses ônibus passam de meia em meia hora. E temos também os ônibus internos que nos levam para lugares “fora” do fundão. E todos eles têm horário certo para passar. Então sempre ouvimos pessoas correndo desesperadamente, descendo aquelas escadas perigosas para não perderem o ônibus.
Existem dois ônibus, um que sai às 12, e outro às 12:15 que nos levam para a Praia Vermelha, que é onde fica o Campus que tem alguns cursos, é claro, Comunicação Social. O bandejão central vai até às 14 hrs. Só que se você quiser pegar um desses dois ônibus você precisa sair as 11, até porque 11:40 existe uma fila gigantesca envolvendo o bandejão, que seria quase impossível comer nesse tempo até o ônibus.Na semana em que o curso começa a apertar, e você passa  a dormir um pouco mais tarde, ou quase nem dormir, e você tem que ir para a aula, mas se dormir pouco não vai render o seu dia, e se você for comer, é quase impossível fazer isso em meia hora, você precisa tomar um decisão muito importante (é besta, mas é engraçada e faz parte da rotina sim): decidir entre deixar de pegar o ônibus interno para almoçar mais tarde e se virar pegando o 485 que demora muito mais tempo pra chegar e não garante nenhuma segurança, ou não almoçar para pegar direto o ônibus interno e dar um jeito de comer qualquer coisa na faculdade (visto que no outro Campus não tem bandejão!)? Eis a questão (haha).
Também há outro ponto (mais um) negativo, finais de semana o restaurante universitário (bandejão) não funciona! Se você não tiver um forno, ou fogão, ou uma geladeira pra guardar muita comida, desculpe, você vai morrer de fome, ou vai ter que ir à Vila comer salgado, ou então pedir uma pizza. Oba! Pelo menos os entregadores chegam até o alojamento! Então na maioria das vezes eu pedia um lanche para entrega, porque eu era uma dessas que não tinha fogão. Tudo bem que meu namorado, que também mora no alojamento, tem um fogão e de vez em quando nos preparava um miojo (mas ele sabe cozinhar mesmo, só é ferrado que nem eu, e não tem dinheiro pra comprar ingredientes pra fazer comida sempre).
Vocês que moram com seus irmãos, ou já dormiram por muito tempo no quarto do irmão, sabe como era/é a convivência de vocês. Parece que não há espaço pra nada, nem pra andar no quarto, nem fazer nada. Então, é o caso de quem mora no alojamento, mesmo os que moram sozinhos, imagine de quem divide o quarto. O último caso é o meu. A minha companheira de quarto e eu, sofríamos. Eu sou a pessoa mais desastrada do mundo, daquelas que derruba tudo por onde passa a mão, que tropeça nos cabos pelo chão, que machuca o pé na porta, na parede, ou até bate a cabeça na mesa quando vai levantar (isso aconteceu ontem). Agora imagina essa pessoa desastrada que sou eu, num lugar pequeno e com mais uma pessoa. Cada movimento meu dentro do quarto já resultava num prejuízo ou em ter que abaixar para pegar do chão o que caiu. Ontem eu quebrei um copo só porque ela pediu para que eu fizesse algo para ela, quando virei, a mão foi na mesma hora no copo que deu um trabalhão e me fez atrasar mais ainda para a aula.
E quando está no fim do mês e está todo mundo quase sem dinheiro, sem tempo e disposição? Vamos “interar” (não sei se conhecem essa expressão, mas é juntar dinheiro, fazer vaquinha) para comprar aquelaa pizza que vem com outra “grátis”.  Pobres “alojados”.
Fora que o alojamento deu azar e muito no sentido de acontecimentos ruins físicos comigo. Eu fiquei doente várias vezes (o que dificilmente acontecia antes), emagreci (o que eu odeio que aconteça porque já sou muito magra para isso). Tive que me privar da convivência com meus amigos do curso de comunicação, não porque queria, mas porque sair daquele lugar (alojamento) é complicado. Não é bacana sair no final de semana para qualquer lugar que seja, é sempre bom sair em grupo, ou dia de semana mesmo (mas existe tempo para isso no meio da semana?). Então a gente fica alí, isolado do mundo, enfiando a cara nos livros apenas e se “comunicando” apenas no ambiente do nosso curso (refiro-me a mim e meu namorado).
Mesmo a tudo isso, ter morado no alojamento particularmente me ajudou em muitos sentidos. Eu já vi que a dificuldade em que eu passava na minha casa na cidade natal não chega perto da que eu passei aqui. Entretanto, além de todas os problemas que passei ali dentro, eu posso dizer que foi uma grande experiência viver com minhas próprias pernas. É aquele clichê, foi maravilhoso poder me desenvolver como ser humano.