terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Sou magra sim e daí?

Faltam 10 dias para as férias acabarem, e não estou nenhum pouco triste por ter que voltar ao Rio de Janeiro.
Comecemos pelo fator número 1: É o lugar onde eu construí a minha nova vida, então aqui em São Luís na primeira semana é muito divertido, depois a impressão de inutilidade começa a se fazer presente e é melhor manter a cabeça ocupada sempre, principalmente quando a ocupação faz parte do que você deseja ser daqui a uns anos.

Fator número 2: Há pessoas que não entendem que sua vida no lugar onde você mora não é a mesma quando você está de férias, ou seja, a rotina não precisa ser a mesma, você não tem horários, não tem "tantas" obrigações e se está de férias quer relaxar e isso é sinônimo de fazer as coisas que te fazem sentir menos pressionado por tudo o que já te pressiona no cotidiano estudantil e profissional.

Fator número 3: No Rio, durante 1 ano, eu não ouvi sequer alguém dizer: "olha como você é magra", ou "você está tão magra", ou "se você engordasse ia ficar muito bonita". Talvez seja por dois motivos, as pessoas gostarem de ser magras no Rio (pode ser, pode não ser), ou mesmo por eu fazer comunicação social, e o pessoal ter a mente bem aberta, além de saberem que não existe um fenótipo certo e que pode ser considerado padrão, o que na verdade isso aconteceu devido a formação de padrões que foram estabelecidos pela mídia televisiva, impressa (revistas), alguns tipos de filmes. É isso. Entrando nesse assunto com mais profundidade, sim, é por isso que você acha que ter uma cintura fina, contanto que tenha pernas grossas, seios grandes, e uma bunda "legal" é que é bonito e merecedor de elogios.
Durante toda a minha infância, adolescência e juventude eu achei que tivesse que ter um tipo de corpo. Escreviam no meu blusão da escola no final de ano: "esqueleto", "só osso", bem, acho que todo mundo tem osso, esqueleto, não? É, mas machucava e passava na minha cabeça: "Eu preciso engordar, eu preciso ser que nem aquela menina, eu preciso deixar de ser chamada assim um dia, mas para isso preciso mudar". Quem foi que falou isso para mim? Eu não precisava mudar pra ser aceita! Infelizmente foi o que eu pensei durante todos os anos de escola e até mesmo os posteriores a ela. Eu era magra a ponto de parecer que tinha algum problema físico, a ponto de acharem que eu estava doente ou era desnutrida, mas era simplesmente uma questão genética.
Para ser mais exata, meu irmão tem 32 anos e minha irmã 31, acho que ninguém consegue dizer de verdade que eles têm essa idade, visto que tem o rosto e o corpo 10 anos mais jovens. Eu tenho 22 e pareço ter 15. E assim podemos ver também alguns primos, algumas tias. Tenho o exemplo de uma tia que engordou com mais de 50 anos, passou a vida inteira com pouco peso.
Isso foi só um "abre parênteses", não adianta eu lutar contra isso porque não vai adiantar, eu vou engordar quando for pra engordar, e independente disso acontecer, não é isso que vai definir o quão bonita eu sou.
O que posso dizer, é que aqui na minha cidade é muito mais intenso isso de ser "fortinha", as pessoas te conhecem e sendo legais, chatas, novas, velhas, uma hora ou outra vão dizer "você é tão magrinha!". Mas que diabos! Eu sei que sou magrinha, não preciso que alguém diga isso para mim. E ninguém sabe o que corre por trás de cada pessoa, a sua história, os seus problemas, isso magoa pra caramba e ninguém imagina o quanto.
O engraçado é que há uns anos atrás eu ficava muito chateada quando via na televisão ou em qualquer outro tipo de mídia: "aprenda a emagrecer"; "como emagrecer"; "siga essa dieta e emagreça". E eu pensava: "é muito mais fácil emagrecer, é só correr, comer pouco, quanto mais eu como mais peso parece que perco, por que não ensinam a engordar?". Eu podia ter ido a um nutricionista e ter corrido atrás de ganhar esse peso a força. Mas hoje eu penso que fiz o melhor em não ter feito isso. Eu não preciso engordar pra ser admirada por alguém. Depois que eu falo do quanto me chateei durante a vida por dizerem que eu precisava engordar, e mesmo assim ter a vontade de engordar hoje, algumas pessoas argumentam que eu sou estranha e se eu falo que isso é errado, não deveria ir atrás de mudar. Mas pensemos bem, não significa que não vá existir "gostos". Há pessoas que gostam de pessoas com um peso maior, outras com peso menor, negras, brancas, asiáticas. Eu quero chegar a um determinado peso hoje por gostar! Por querer isso para mim. Por me achar melhor se chegar a esse peso. Não mais porque disseram que eu preciso ser de um jeito que eu não sou. São metas totalmente diferentes, mesmo que seus objetivos sejam os mesmos, o motivo de querer chegar a eles são completamente opostos.
Esse texto não é um desabafo, como parece, não é um carão, uma bronca, como parece. É só uma experiência de uma vida inteira (por mais nova que eu seja), de algo que me machucou muito e que tem que ter um fim nesse mundo. E não, o texto não vai motivar ninguém a ser melhor, isso é uma questão muito delicada e precisa de um tempo longo para uma mudança ser aplicada. Foi um dos motivos que me levaram a fazer o curso de comunicação, eu preciso de alguma forma cooperar para a disseminação de que é uma ideia absurda essa de padrões de beleza.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Sábado

  • Um sábado, acordamos a primeira ação do dia foi uma conversa estranha A segunda foi ouvir Sábado, que estava sendo lançado naquele dia A música que marcou foi Capim-Limão Enquanto isso você deitou na minha perna E nós ficamos ali, ouvindo a música e pensando no quanto nos amávamos
  • Como queria que aquele sábado tivesse sido apenas mais um sábado
    Ele foi o último que passei ao seu lado
    Ele foi o dia que eu lembro com mais vontade de vivê-lo outra vez

  • Sábado
    Como todos eles anteriores àquele foram bons
    Sentia sua pele, o cheiro que me vem todos os dias agora em saudade
    O calor que nossos corpos produziam

  • Ah, sábado
    Eu não imaginava que você se tornaria o pior dia da minha semana
    Ah, você não está sozinho sábado
    Segunda é igual a você
    Domingo é seu irmão gêmeo
    Quinta se parece muito
    Ah sábado
    Todos os dias são como você
    Eles se tornaram vazios
    Todos vocês nunca mais serão iguais ao que eram
    Mas vocês são iguais entre si
    Iguais.

sábado, 14 de setembro de 2013

Essa é a pior parte

Nunca sei quando eu vou conseguir escrever, eu nunca preparo, nem espero, nem aguardo. Por isso é que o tempo entre cada texto postado até assusta. Parece até que eu deixei o blog no lugar dele, sossegado do mundo como ele mesmo é. Então eu, quando estou desassossegada do mundo, tremo todinha e sinto vontade de escrever, e finalmente posso sossegar dele.
Hoje pouco posso falar sobre qualquer coisa, porque eu me sinto cada vez menos preparada para isso, deveria ser o oposto, mas não é. Antes eu não tinha medo de falar, eu só falava, só escrevia, só descrevia sem pensar muito na forma e no tom. O que de fato eu vim fazer aqui? Eu já até nem lembrava mais, esqueci nesse meio tempo de introdução.
Há duas semanas atrás eu estava feliz, a diferença é que a felicidade estava de tão fácil alcance que às vezes eu a deixava de canto. Sensação parecida quando nós temos água em abundância nos litros na geladeira e nem sequer bebemos um copo, e quando temos sede e vamos beber, os litros estão vazios (que exemplo mais tosco, mas é assim). Ela estava bem alí. E não digo que não aproveitava essa tal felicidade, mas era tão normal que virou rotina. Hoje, estou precisando buscá-la, procurá-la, se puder até inventá-la. Está difícil demais aceitar essa mudança.
Mudança que aconteceu de um jeito tão incerto, nunca vi na vida. E onde está minha casa, minha cama, meu quarto, meu violão, minhas coisas nesse momento tão difícil? Estão a quase 3000 mil km de distância. Essa é a pior parte. No momento em que você poderia pensar: "Ah, a vida não é tão ruim assim, pelo menos minha família não pode desistir de mim, mesmo que não gostem de mim, a família sempre estará alí", você  não pode, justamente porque sua família não está aqui do lado. Repito: essa é a pior parte.
Incerteza de uma melhora e terei então que, ou conviver com a dor, ou começar a trabalhar incessantemente para destruí-la de dentro de mim. Claro que a segunda opção é válida, mas ela precisa de um motivo para deixar de existir. Essa dor só existe porque ela está junto com o amor, aquele que você sabe que existe de verdade. Então se for pra destruir um, a dor, o outro também terá que ser destruído. Essa é a pior parte dois.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Alojamento, vulgo Aló



Dia 24 vou para São Luís, mas nesse mesmo dia, é a data que nós, simplórios “agregados” no alojamento, que “não temos” para onde ir, teremos para sair do alojamento. Visto que o mesmo vai entrar em reforma, mesmo de forma que não dê uma garantia de moradia de verdade pra quem vai ter que esperar tal reforma. O que eles ofereceram foi um dinheiro a mais. Um número a mais de “verde” no bolso que não é a certeza de um lugar pra morar. Só não foi disso que vim falar, essa só foi uma breve descrição da situação corrente.
Eu tenho para onde ir, mas tudo o que eu não pagava (transporte - ônibus interno que mesmo lotado em sua maioria, chega com segurança e rapidez onde estudo; comida por 2 reais), terei que voltar a ter como mais um gasto. Só não vim também pra falar disso.
Vim despedir-me do alojamento de forma pública (amigos, família), porque acho engraçado não ser absolutamente nada como esperado. E se você pensa que não fui feliz nesse lugar, na verdade está enganado, eu fui. E também não tenho pretensão nenhuma de  relatar minha vida, até porque ninguém merece ler tanto “blá blá blá”, mas merecem saber de coisas cotidianas que quase ninguém, que não mora lá, nunca vai saber.
Morar no alojamento significa: ter que substituir os acontecimentos ruins ao humor, se não você não sobrevive. As piadas internas são as melhores.
No alojamento tem dois horários em que é distribuído o “café”, onde temos a opção de café com leite, sem leite, suco ou vitamina, pão , lê-se: pão velho, e uma frutinha ou sobremesa, como um copinho do tamanho do meu olho de gelatina. É lindo na teoria para quem não está lá ler que temos um “café grátis!”, na verdade a gente sempre tem que tomar muito cuidado com o que come lá. Ouço histórias que há 1 ano atrás eles davam Ovomaltine no café, sanduíches gostosos, entre outras coisas, mas acho que tiveram que diminuir a verba para nossos lanchinhos porque o “cara de terno” deve ter visto nunca “sobrar” money para seu papel higiênico importado ser comprado (haha).
Toda semana havia uma assembleia por lá, um grupo de alunos que organizam as ideias de todos os que compareciam às assembleias. E então quando aparecia alguém não muito visto pelos corredores a piada interna tomava partido: “Mas quem é você? Eu nunca te vi no café!”.
Ouvir passos de pessoas correndo se tornou quase fundo musical dos nossos dias. Tem um ônibus que passa de 10 em 10 minutos na frente de lá, que nos leva para dar uma voltinha no “imenso” fundão, sendo possível descer na estação (onde passam alguns ônibus para saída do fundão), na Vila Residencial (onde as pessoas costumam ir para fazer comprinhas básicas e lanchar), ou mesmo descer em qualquer ponto para pegar qualquer ônibus. Entretanto, no final de semana esses ônibus passam de meia em meia hora. E temos também os ônibus internos que nos levam para lugares “fora” do fundão. E todos eles têm horário certo para passar. Então sempre ouvimos pessoas correndo desesperadamente, descendo aquelas escadas perigosas para não perderem o ônibus.
Existem dois ônibus, um que sai às 12, e outro às 12:15 que nos levam para a Praia Vermelha, que é onde fica o Campus que tem alguns cursos, é claro, Comunicação Social. O bandejão central vai até às 14 hrs. Só que se você quiser pegar um desses dois ônibus você precisa sair as 11, até porque 11:40 existe uma fila gigantesca envolvendo o bandejão, que seria quase impossível comer nesse tempo até o ônibus.Na semana em que o curso começa a apertar, e você passa  a dormir um pouco mais tarde, ou quase nem dormir, e você tem que ir para a aula, mas se dormir pouco não vai render o seu dia, e se você for comer, é quase impossível fazer isso em meia hora, você precisa tomar um decisão muito importante (é besta, mas é engraçada e faz parte da rotina sim): decidir entre deixar de pegar o ônibus interno para almoçar mais tarde e se virar pegando o 485 que demora muito mais tempo pra chegar e não garante nenhuma segurança, ou não almoçar para pegar direto o ônibus interno e dar um jeito de comer qualquer coisa na faculdade (visto que no outro Campus não tem bandejão!)? Eis a questão (haha).
Também há outro ponto (mais um) negativo, finais de semana o restaurante universitário (bandejão) não funciona! Se você não tiver um forno, ou fogão, ou uma geladeira pra guardar muita comida, desculpe, você vai morrer de fome, ou vai ter que ir à Vila comer salgado, ou então pedir uma pizza. Oba! Pelo menos os entregadores chegam até o alojamento! Então na maioria das vezes eu pedia um lanche para entrega, porque eu era uma dessas que não tinha fogão. Tudo bem que meu namorado, que também mora no alojamento, tem um fogão e de vez em quando nos preparava um miojo (mas ele sabe cozinhar mesmo, só é ferrado que nem eu, e não tem dinheiro pra comprar ingredientes pra fazer comida sempre).
Vocês que moram com seus irmãos, ou já dormiram por muito tempo no quarto do irmão, sabe como era/é a convivência de vocês. Parece que não há espaço pra nada, nem pra andar no quarto, nem fazer nada. Então, é o caso de quem mora no alojamento, mesmo os que moram sozinhos, imagine de quem divide o quarto. O último caso é o meu. A minha companheira de quarto e eu, sofríamos. Eu sou a pessoa mais desastrada do mundo, daquelas que derruba tudo por onde passa a mão, que tropeça nos cabos pelo chão, que machuca o pé na porta, na parede, ou até bate a cabeça na mesa quando vai levantar (isso aconteceu ontem). Agora imagina essa pessoa desastrada que sou eu, num lugar pequeno e com mais uma pessoa. Cada movimento meu dentro do quarto já resultava num prejuízo ou em ter que abaixar para pegar do chão o que caiu. Ontem eu quebrei um copo só porque ela pediu para que eu fizesse algo para ela, quando virei, a mão foi na mesma hora no copo que deu um trabalhão e me fez atrasar mais ainda para a aula.
E quando está no fim do mês e está todo mundo quase sem dinheiro, sem tempo e disposição? Vamos “interar” (não sei se conhecem essa expressão, mas é juntar dinheiro, fazer vaquinha) para comprar aquelaa pizza que vem com outra “grátis”.  Pobres “alojados”.
Fora que o alojamento deu azar e muito no sentido de acontecimentos ruins físicos comigo. Eu fiquei doente várias vezes (o que dificilmente acontecia antes), emagreci (o que eu odeio que aconteça porque já sou muito magra para isso). Tive que me privar da convivência com meus amigos do curso de comunicação, não porque queria, mas porque sair daquele lugar (alojamento) é complicado. Não é bacana sair no final de semana para qualquer lugar que seja, é sempre bom sair em grupo, ou dia de semana mesmo (mas existe tempo para isso no meio da semana?). Então a gente fica alí, isolado do mundo, enfiando a cara nos livros apenas e se “comunicando” apenas no ambiente do nosso curso (refiro-me a mim e meu namorado).
Mesmo a tudo isso, ter morado no alojamento particularmente me ajudou em muitos sentidos. Eu já vi que a dificuldade em que eu passava na minha casa na cidade natal não chega perto da que eu passei aqui. Entretanto, além de todas os problemas que passei ali dentro, eu posso dizer que foi uma grande experiência viver com minhas próprias pernas. É aquele clichê, foi maravilhoso poder me desenvolver como ser humano.


quinta-feira, 6 de setembro de 2012

trajectory new

       Olá, queridos e poucos leitores. Faz um bom tempo que eu não escrevo nada por aqui, mas venho mesmo depois desse tempo trazer algumas novidades. A novidade mais simples que tenho hoje é a mais desconhecida em toda minha vida, que é morar em outro estado, porque jamais pensei que pudesse ser uma verdade. A outra novidade, que é o curso que vou fazer, esteve presente em sonho, em textos, em palavras soltas ao vento, e cursá-lo em uma universidade de renome, aí sim nunca imaginei que ela pudesse enfim existir. As pessoas mudam, as coisas mudam, porém, mais importante ainda é alguém querer mudar-se, querer mudar as coisas em sua volta. E com esse propósito, eu adquiri uma coragem sem igual para viver uma nova trajetória.
        Há tempos atrás eu dizia que viria para o Rio de Janeiro, ser atriz e ficar conhecida. Além de querer calar a boca, se assim posso dizer, de quem dizia que eu não era capaz de nada, principalmente de alcançar algo aos pés do que hoje realizei, eu gostava de atuar (gosto). O sonho de ser atriz adormeceu, e a ideia de morar no Rio e estudar aqui, por incrível que pareça, também. Há 3 meses atrás eu já estava me imaginando uma antropóloga super exótica, como de praxe. Isso porque estava cursando Ciências Sociais. Hoje já não sei nem em o que imaginar de mim. Eu sei que aqui eu poderei ser muito mais do que minha imaginação permite produzir.
      Alguns amigos pediram que eu contasse tudo o que acontecesse por aqui, não dá pra contar de um por um, então através do blog eu posso pelo menos registrar como serão as primeiras experiências. Começo pela saída da minha casa, em São Luís do Maranhão.



 

                                                 Na pressa ficou tudo uma bagunça!

      Assim deixei nas caixas deixadas na minha casa, que haviam todas as minhas preciosidades. Se eu pudesse trazia tudo, claro, mas seria extremamente complicado. Se quando fui fazer o check in minha malas tiveram 7 kg de excesso com as coisas mais importantes... Imagine se eu levasse o que havia dentro das caixas. Falando nisso, eu aceitei pagar o excesso da bagagem, disseram-me que o preço para 7 kg era R$ 140. Você pagaria? Eu não, e disse bem claro "eu não vou pagar isso". Mas como a única coisa que poderia fazer era diminuir a quantidade de coisas, tive que ser obrigada a passar um pouco de vergonha retirando bagulhos da mala (rs). Depois disso o excesso ficou em 4 kg. Deu uma melhorada, mas infelizmente minha mãe teve que voltar com algumas coisas minhas, e fiquei pensando nisso com a maior tristeza depois. Ficou em R$ 80 o excesso, e eu tive que ceder.
    No caminho para o aeroporto eu fui começar a desvendar meu celular, e aí coloquei as músicas que tinha acabado de baixar pra tocar, e de repente começa: "A bailarina e o astronauta" da Tiê (como sempre, rs).

"Eu sou uma bailarina e cheguei 
aqui sozinha. Não pergunte como eu vim, 
porque já não sei de mim. Do meu circo eu fui 
embora, sei que minha família chora. 

Não podia desistir, se um dia, como um
 sonho ele apareceu pra mim. "


      E lá caiu perfeitamente bem. Eu já estava chorando porque o primo do meu pai, que estava me levando disse que iríamos nos atrasar se voltássemos em casa, e eu queria fazer isso porque não tinha me despedido da minha irmã e da sobrinha. Elas tinham acabado de chegar lá, quando eu tinha acabado de sair. E haviam feito uma viagem dias antes, então faziam alguns dias que eu não as via. Imagine, quando começou a tocar essa música, qual foi minha reação. 

Aí eu tirei essa foto pra registrar a cara de deception.
      Quando cheguei por aqui, um amigo meu estava me esperando no aeroporto. As pessoas, que eu estou morando agora, não poderiam me buscar. Então, carinhosamente, ele foi me receber com toda alegria possível. Pra não deixar passar despercebido, está aqui o blog do Milton (http://acasadeninguem.blogspot.com.br/)

     Peguei o taxi e vim sozinha. Ao chegar, fui recebida muito bem. E já começaram a me encher de comida. Não dormi muito tarde, estava cansada, foram muitos dias de preocupação, ansiedade e saídas infinitas em São Luís. 
     O primeiro dia ao acordar nessa cidade encantadora foi muito estranho, eu pensava que estava em São Luís e na minha cama... Aí a Ana Cláudia (Lala) me convidou para ir ao mercado, e pra minha alegria estava fazendo um friozinho muito bom. Disseram por aqui que eu trouxe o frio pra cá, já que dias anteriores não estavam. Segundo dia soube o dia exato que farei minha matrícula na UFRJ, para assim ser oficialmente uma universitária pela segunda vez, isso já me deixou entusiasmada. Terceiro dia por aqui, acordei às 5 da manhã com a Lucilene (Lho Lho), pra ir ao trabalho dela pegar uma CPU, que agora será utilizada por mim. Finalmente pude respirar fora do bairro.

Ignorem as caras de sono da matina. 

    E hoje, acabo de saber o dia que as aulas irão começar (22 de outubro), vai demorar um pouco, mas dá tempo de me organizar, conhecer tudo e resolver o que tem pendente. E tempo demais pra ansiedade ficar a mil (aaaa). Assim concluo meus poucos dias na cidade nova, onde eu quero ser feliz enquanto durar, quatro anos (se Deus quiser), porque apesar de ser um lugar maravilhoso (e que eu ainda vou desvendar muito), é São Luís o meu primeiro amor, e esse a gente nunca esquece.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Escrever é fazer-se conhecer

      Da forma como se quer, cômica, dissertativa, descritiva, a escrita faz parte da vida de muita gente, mas também não faz parte de muitas vidas. Escrever é doar-se ao outro, que você não sabe quem é, que pode interpretar seu texto de várias formas, que você não sabe como encarará suas entrelinhas. Informal ou culta, ela vem carregada de você, do que faz parte do seu mundo. Certamente que pode ser apenas uma porcentagem de você, certas vezes pessoas passam até duzentos porcento do que é, isso porque vão além do superficial, adentram na subjetividade do eu. 
     Pensemos, escrever é se expor? Depende do ponto de vista. Há pessoas que escrevem e publicam, assim estão expostas ao que pensarão a respeito desses textos. Parte delas poderá concluir o óbvio, outras podem ir além disso. Acabando assim por construir um conceito sobre quem você é, estando certo ou não. 
    Ah! Escrever é bom demais, esvazia sua caixinha de ideias porque elas pularam para fora dela, abrindo espaço assim para novas. Já que eu estou falando de textos, vou separar quatro blogs para vocês, contar um pouco sobre os donos e como os conheci.


Lar da Escriturária, autora: Steffi de Castro


http://larescrituraria.blogspot.com.br/

Ela tem 19 anos, de São Luís e faz parte da minha vida, conheci essa incrível pessoa na escola, mas fui ficar mais próxima só quando saí de lá (e ela continuou para concluir). O teatro nos uniu, isso é fato. Participávamos de um grupo chamado Entrecena, com direção de Jorge Milton, no Colun, e então tínhamos uma convivência diária, apesar da diferença de séries (ela no 1º ano e eu no 3º). E gostos, vontades e sonhos em comum foram nos juntando mais ainda. Até que pude considerá-la uma grande amiga/irmã. Não me esforcei pra gostar dela, é muito fácil, porque alguém com tanto bom gosto e uma carga de conhecimento tão grande é quase impossível não se aproximar, a não ser que você tenha péssimas referências, rs. Ela tinha dois blogs, um que era bastante pessoal (Complexo das Letras), o outro também, porém com uma influência enorme em Deus (La Escriturária). Ela contava nesse segundo, o que achava que era certo, sua posição em relação a temas polêmicos, ou não, era sincera a ponto de provocar uma satisfação imensa ao ler seus textos. Hoje ela escreve num blog conjunto, o Lar da Escriturária, que eu mencionei up.


Cartaz fofíssimo que eu fiz para ela
 (representa muito bem quem ela é)


Fez-se flor, autora: Juliana Diniz 

http://fez-se-flor.blogspot.com.br/

É uma garota de 17 anos, mora em São Luís e também faz parte da minha vida, é uma grande amiga /irmã. Nos conhecemos há pouco tempo, mas digo à vocês, foi através da arte. A primeira vez que eu vi a Juli na vida ela estava vestida de boneca, Maricota (e que por acaso é um dos meus apelidos). Eu era jurada das apresentações que estavam concorrendo, mas eu não fazia ideia de quem estaria por trás da roupa de boneca e aquele rostinho todo pintado, e da peruca verde. A primeira vez que ela me viu, bem antes disso, eu estava apresentando na minha ex-escola, na aula inaugural, e ela estava alí, como seu primeiro dia na escola em que eu estudei. Minha personagem era uma criança (a maioria dos personagens eram, porque representávamos uma sala de aula), além disso, eu ainda era irmã gêmea, e quem fazia essa tal, era a Steffi de Castro. Então nesse dia ela me viu da mesma forma como futuramente eu a vi, 2 anos depois. Só que somente alguns meses depois da apresentação, foi que eu conheci a Juliana de verdade. 
     Juliana é aquele tipo de menina que amadureceu bem rápido, e que você aprende todo dia um pouquinho com ela. Há uma sinceridade, honestidade e simplicidade imensa nela. Quando ela escreve, só faz percebermos o quanto isso é verdade.
A flor e a flor.



Aleide e Alaide (Mariana e Steffi)

Maricota (Juliana Diniz)







Miudezas Particulares, autora: Natasha Olenka


http://miudezasparticulares.blogspot.com.br/

19 anos, mora em São Luís, entrou em minha vida na infância, quando eu era aluna da mãe dela no grupo da Igreja, e ela penrambulava, correndo pelo espaço, rs. Nos aproximamos ainda mais na adolescência, ela fez parte daquela vivência típica dos jovens, um tanto atípica, nós éramos loucas a ponto de não fazer nenhuma besteira. Só falávamos demais, nossas saídas limitavam-se uma na casa da outra, na das outras amigas que faziam parte também, padarias, comércios. Falávamos que iríamos aos EUA, enrolávamos o inglês com graças infinitas. Nós "sofremos" por amor juntas, apoiamos os desesperos e afins. O sonho dela é fazer Jornalismo, começou cursando Letras, mas não foi exatamente o que ela queria. No blog, ela escreve coisas relacionadas a sentimentos. Ela te faz pensar por diversos lados ao ler seus textos, faz uma alusão incrível. É de arrepiar. 
Natasha,  a nat licyous. 

Senhor do Tempo, autor: Marcos Lima


Ele tem 20 anos, São Luís, já está bastante tempo no blog, e já é conhecido por muitos blogueiros e apreciadores do mundo da blogosfera. O famoso "Marcos Aurélio", conheci há tempos. Nós temos uma ligação muito profunda e que denominamos "Vida entre colchetes". Logo no início da nossa amizade, tudo o que falávamos a respeito de reflexões do mundo, pessoas, ou nosso interior, colocávamos [entre colchetes], era uma forma de se deslocar do real, ir ao imaginário possível. Tanto tempo passado, percebemos que o mundo ou vida entre colchetes continua mais vivo do que nunca, as histórias foram acontecendo na vida dele, aconteceram na minha vida, e percebemos que tudo girou em torno de algo que acreditávamos. As histórias se entrelaçaram e nós pudemos fazer tudo isso de modo tino. E isso só fortaleceu a vida entre colchetes. 
O blog dele rodeia tudo. Um dia ele trata de um assunto sério, outro dia descontrai, ou sentimentaliza tudo. A forma como ele vê o mundo é impressionante, não gostar dos textos do Markoso, é algo em escassez. 

Ele brinca de escrever.

           Fico pensando se realmente mereço a amizade destas pessoas incríveis! Como posso ter conquistado-os? Escrevem de forma única e eu precisava compartilhar esse talento todo com vocês.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Adormecida


[Favor colocar pra ouvir enquanto lê o post, rs]
       As melodias e letras das músicas da Tiê vieram como parte da trilha da minha vida.. Decolei numa época em que sinto o amor longe, agora mais do que nunca, de forma pela qual eu me distancio do que passou, daquele amor que eu já pude sentir. E sinto-me longe e distante daquele que há de vir. Não sei quando virá, não sei se virá.
        É difícil até interpretar o que se sente. É uma dormência de estado, você não sofre, você não se alegra. Ao mesmo tempo que se quer acreditar que existe algo maior por vir, há a vontade de que nada mude, porque se possuímos em nossa caixa de lembranças várias situações tristes, sofridas, a vontade que elas não aconteçam outra vez é enorme. Mas aos poucos você as ignora, porque seu corpo, sua mente, seus sentimentos precisam se renovar. Os seus sentidos vão querer buscar o que você deixou de viver por um tempo por medo. Não que todas as pessoas tenham medo de arriscar outra vez, mas seu inconsciente acaba por desviar desse caminho.

 Sem me comparar
Sem entristecer
Sem tentar mudar
Sem poder entender"
(Perto e Distante - Tiê)
                                                  


E cada dia que passa, eu sinto que preciso voltar a viver uma história bonita, sem me preocupar se vai dar certo, ou não vai dar. Que ela exista da forma que possa existir, do jeito que vier. Sem "poréns", "porquês", sem o "talvez", sem o "e se não". Para isso precisa-se merecer. Será se "te mereço" futuro bom? Será que mereço esse "por vir"? Mereço o tal? 


"Um carinho envolve o meu coração
Sinto que é você, falando pra mim
Sussurrando"
(Te Mereço)


Sinto essa música como alguém que não existe, que só cabe na imaginação, porém, alguém possível, e que está bem longe. Só quero que continue dentro de mim essa calmaria. Essa que só é possível quando você está entre o espaço do "Perto" e do "Distante".